quarta-feira, 8 de agosto de 2018

INDISCIPLINA ESCOLAR: CAUSAS, EFEITOS E SOLUÇÕES.




No início de 2015, foi divulgado o resultado de uma pesquisa feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que aponta o Brasil como sendo o país que mais perde tempo em sala de aula contendo a indisciplina dos alunos. Essa organização consulta dados em países como Finlândia, Suécia, República Tcheca, Malásia, Holanda, Estados Unidos, México, Estônia, França, Canadá, Chipre, entre outros. Repasso alguns dados que são importantes para uma compreensão da nossa conversa.
- 20% de uma aula são usados para acalmar os alunos e organizar a classe.
- 13% são para lidar com assuntos burocráticos, desde avisos a chamada.
- 10%, para responder perguntas que não têm haver com o assunto.
Ficando pouco mais de 50% para lidar com o assunto da aula, propriamente dito. Sem tirar os imprevistos, que são muitos, e vão desde as participações de alunos até as interrupções das aulas para avisos fora do conteúdo. Se fizermos uma comparação com outros países, temos um estudo que afirma que 87% da aula são usados para tratar do conteúdo. Lógico, que como toda estatística tem suas falhas, e se tratando de vários professores, uns têm mais domínio da turma e dos conteúdos, que outros.

Voltando hoje a falar de educação, o faço também para tratar do nosso péssimo desempenho no Exame Internacional, onde é avaliada a educação em vários países do mundo. Mas, é bom começar refletindo sobre o PISAProgramme for International Student Assessment – traduzindo, é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – uma iniciativa de avaliação comparada, aplicada de forma amostral a estudantes matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental, na faixa etária dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. É gerido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), havendo uma coordenação nacional em cada país participante. No Brasil, é de responsabilidade do Inep. O objetivo é produzir indicadores que contribuam para a discussão da qualidade do conhecimento nas nações integrantes, de modo a subsidiar políticas de melhoria do ensino básico. Procura verificar até que ponto as escolas estão preparando seus jovens para exercer o papel de cidadãos na sociedade contemporânea.

As avaliações acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento – Leitura, Matemática e Ciências – havendo preocupação, a cada edição do programa, dá ênfase a todas. Sim, mas, o que tem haver o PISA com o comportamento em sala de aula? Tudo, pois os países que têm a melhor disciplina, apresentam o maior rendimento entre os alunos. Infelizmente, na última, em 2016, ficamos em penúltimo lugar, atrás da Bolívia e de Honduras. Nada contra esses países, mas é de se esperar muito mais de uma nação que é hoje a oitava potência econômica do mundo. Sabemos que sem educação e saúde, não podemos ir muito longe.
Vamos, de forma bem objetiva, começar refletindo: o que é Indisciplina? É fácil responder didaticamente, mas, é necessário compreender os valores que levam a ela. Pensamos sempre, que a mesma é somente conversa, bagunça, bullying, violência, etc. Não devemos considerar nem as causas, nem os efeitos. Rotular o aluno como um problema, parece ser algo perverso na educação. As causas são várias, passando pela família e seus conflitos, proposta da escola, legislação do País, preparo do professor e até por problemas pessoais de ordem emocional, que atingem os estudantes.
Uma indagação que sempre se faz: o professor tem culpa da indisciplina na sala de aula? Difícil de responder, porque se a pergunta é dúbia a resposta é mais ainda. Para alguns, se o professor dominar o conteúdo, a disciplina da classe está dominada. Em parte, concordo, mas volto a lembrar que a mesma não tem somente um fator, portanto, buscar ou acusar separadamente alguém é errado. Muitos são os culpados e vejam o resultado do nosso ensino. Podia acrescentar que com a BNCC, poderemos ter classes disciplinadas e alunos motivados. Respondo com um sonoro NÃO, pois, hoje já se questiona essa nova Base da Educação. Não sabemos o que vai acontecer, até porque, como já disse em outro artigo, com a mudança política de outubro, tudo pode mudar.
Vamos ver algumas das causas da indisciplina em sala de aula, segundo dados do próprio Ministério da Educação.
1.      ATRAÇÃO: A escola não consegue mais atrair o jovem brasileiro, e o que prova isso são as estatísticas do Ministério da Educação (MEC). Segundo a pasta, a quantidade de matrículas no ensino médio caiu de 8,7 milhões para 8,3 milhões na década de 2002 a 2012.
2.      UTILIDADE DO ESTUDO: O estudo revelou que os jovens não percebem utilidade no conteúdo das aulas. As disciplinas de língua portuguesa e matemática são tidas como as mais úteis por, respectivamente, 78,8% e 77,6% dos alunos. Já geografia, história, biologia e física são consideradas descartáveis para 36% dos entrevistados.
3.      FALTA DE ATIVIDADES PRÁTICAS: Os estudantes desejam atividades mais práticas e alegam que exemplos do cotidiano usados em sala de aula facilitariam o aprendizado. Mesmo que não considerem o conteúdo relevante para a vida, os jovens acreditam que o certificado do ensino médio garante mais chances no mercado de trabalho.
4.      MERCADO DE TRABALHO: O modelo de ensino oferecido pelas escolas não corresponde a essas expectativas e, por isso, muitos estudantes optam por parar de estudar para poderem trabalhar.
5.      FALTA DOS PROFESSORES: As constantes ausências dos professores também diminuem as chances das escolas reterem os alunos. Cerca de 42% dos entrevistados, por exemplo, não tiveram pelo menos uma das aulas programadas no dia anterior à data de participação na pesquisa. Segundo os jovens, também é problemática a relação interpessoal com os educadores.
6.      RELAÇÃO FAMILIAR: Sobre isso, não preciso falar muito. Mas, a disciplina da escola começa em casa.
E quais são as soluções para diminuir a indisciplina na sala de aula? Temos muitas que funcionam de acordo com o nível dos alunos e a preparação dos professores. Em um próximo artigo iremos falar sobre elas. Mas, quero terminar este lembrando uma frase que deveria ser colocada em todos os Colégios e os alunos deviam copiar e levar para casa, para discutir com os pais: AQUI SE ENSINA CONTEÚDOS PARA A VIDA, EDUCAR É PAPEL DA FAMÍLIA.

Prof. Albérico Luiz Fernandes Vilela
Membro da União Brasileira de Escritores
Membro da Academia Pernambucana de Educação
Membro do Lions Club Internacional
Diretor Pedagógico da UNIC – Universidade da Criança

segunda-feira, 25 de junho de 2018

A TAÇA DO MUNDO É NOSSA


Escrever, é antes de tudo, a arte de contar histórias. Às vezes sofridas, alegres, verdadeiras e até aumentadas, o que acontecia com o famoso personagem de Chico Anísio, Pantaleão, que, inclusive, arrumava sempre o jeito de ter o testemunho de sua Terta. Como vou falar de futebol, os fatos aqui contados são verdadeiros, alguns eu vivi, outros me foram contados, com todos os detalhes que dão veracidade aos mesmos. Nunca duvidei de nenhum deles. Peço só desculpas aos leitores, penitenciando-me, é que logo após esses eventos, voltarei a falar daquilo que tanto gosto, que é educação.

Falar de futebol, num país de mais de 200 milhões de treinadores é facílimo, qualquer dúvida é só pedir socorro a um desses técnicos de plantão que, principalmente em época de Copa do Mundo, afloram os seus conhecimentos, estão aí para não me deixar mentir: Adilson Barros, Marcos Régis, Eugenio Sobrinho e Aldemir Fernandes. Mas, é preciso esclarecer ao leitor, que, também tenho meus conhecimentos esportivos, não somente do esporte bretão, mas, de outros tão apaixonantes para o povo brasileiro. Começo aqui com o meu querido pai, Antônio Fernandes, um dos maiores boxeadores do antigo Tiro de Guerra, que seria em março de 1967, substituído pelo atual 71º Batalhão de Infantaria Motorizado (71 BI Mtz). Pois bem, sendo um fenômeno em Garanhuns, na década de 40, tendo sua carreira interrompida numa histórica luta com um boxeador do 14 RI da Capital, por um nocaute de esquerda, tudo porque o técnico não avisou que o adversário era canhoto. Resultado, aos 10 segundos, do 1º round, um soco acaba sua carreira, mas, despertaria na família, depois, o gosto pelos mais diversos esportes, inclusive o futebol.

Verdade que os filhos de Antônio Fernandes tentaram suas habilidades em outros esportes. O grande meia Aldemir, chegou inclusive a tentar o basquete, porém abandonou após a fatídica derrota nos jogos escolares, quando o Colégio CERU foi esmagado, em quadra, pela equipe do D. Juvêncio de Britto. Sim, já ia esquecendo o placar desse extraordinário jogo, que encerrou sua carreira, nessa modalidade: D. Juvêncio 2 X 0 CERU. Jogo que ficou marcado nos anais dos Jogos Escolares de Garanhuns.

A saga dos Fernandes continuava e Aldemir não desistiu, vindo a ser depois o maior atleta da família, jogando pelo Balão Mágico, time de Futsal, que sempre se exibia nos belos torneios das festas de Santa Teresinha, na quadra do CESST, no bairro do Magano.

Falando de futebol, da família quem demorou um pouco mais a entrar no mundo esportivo, foi meu irmão mais novo Almir, que deu seus primeiros passos no mundo futebolístico aos 38 anos de idade. Não precisa falar muito sobre esse craque, que por uma questão cronológica, teve uma carreira brilhante, mas, bastante reduzida.

Para não dizer que não falei das flores, antes de descrever os meus conhecimentos sobre as conquistas das nossas Copas do Mundo, e esse ano com um possível hexa, e aí não será bom para os meus amigos Emir, Lúcio, Nádson, Adílson e o time do Náutico, pois perderão a exclusividade da sua grande conquista.

Sim, vou falar da minha grande carreira futebolística consagrada com tantas taças e vitórias, pena que pela falta dos meios de comunicação atuais e das redes sociais, passou despercebida pela maioria das pessoas. Comecei cedo, no Esporte Clube da Matança, onde tive um dos melhores técnicos, seu Né. Com ele, aprendemos que treinador de futebol é técnico e não professor, pois nas suas sábias lições, nos lembrava que professor a gente encontra nos Colégios.

Seu Né treinou o Esporte por mais de 50 anos, sendo um dos tantos mitos injustiçados do futebol. Milhares de atletas do Magano foram lapidados pelas suas mãos e seus conhecimentos. Eu fui um esforçado e desconhecido lateral direito. Levei para esse clube, o famoso overlapping, criado por Cláudio Coutinho e faria sucesso na Copa da Argentina, em 1978. Lance nunca visto antes no campo da Matança, num jogo contra o Palmeiras, da Boa Vista, realizado por mim, contou com a participação do grande meio campista Luís Sebastião (Minininho), Carlos Guedes (Carlos Pelé) e a conclusão de Edjalma Gomes, de cabeça, após cruzamento feito por mim. O que me custou a substituição aos 6 minutos, do 1º tempo, por ter ultrapassado o meio de campo, coisa proibida para os laterais, naquela época. Conheci a implacável regra do grande mestre do futebol: “ordem de técnico é lei”. Hoje, seu Né ainda é vivo e com muita alegria, faço questão de reverenciá-lo. Minha carreira continuou. Jogando na Universidade Federal e no time do IPSEP, no Recife, ao lado de grandes atletas como Lúcio, Emir, Fernando Galdino, Paulo Gonzaga, Marcos Assis, João Batista e tantos outros.

Minha proposta de lembrar que a Taça do Mundo é nossa, deve-se ao fato, de tantas outras, que também precisamos conquistar. Quero começar com a Educação. Já disse em artigos anteriores que nunca tivemos um ensino de qualidade no Brasil. É bom saber que nunca se investiu tanto nesse segmento, como nos últimos 20 anos. Hoje, um aluno custa, em média, quase R$ 2.500,00 para os cofres públicos, verdade que é um valor irrisório, comparado com os R$ 7.000,00, que custa cada prisioneiro para os cofres da nação. Mesmo assim, continuamos com os piores desempenhos, quando somos comparados com outros países. No exame mundial do PISA, ficamos em penúltimo lugar, atrás de países como Honduras e Bolívia. Nossos alunos apresentam grandes dificuldades com números e letras que precisam ser resolvidas, não somente culpando estudantes e professores, mas, fazendo duas grandes reformas: a primeira, uma mudança no ensino superior, nos cursos de licenciaturas, com currículos efetivos, dinâmicos, atualizados e direcionados a formar especialistas competentes. E, a segunda, um maior investimento nos docentes, tanto na valorização profissional, como na social da categoria.

A desvalorização do docente é tanta que, uma cidade como São Paulo, já não tem número suficiente de professores de química, física e biologia. É uma taça que estamos perdendo, essa da educação.

Outra taça que precisamos conquistar dentro de campo é a da saúde. Ganhar no futebol é fácil, menos para o “meu Santinha”. Quero colher os frutos da vitória nos hospitais, com ligeiro atendimento, medicamento para todos, cirurgias sendo realizadas com rapidez e a agilidade que cada caso necessita. Leitos para todos e não macas nos corredores, que parecem mais um campo de refugiados. Vacinas, sem precisar de longas filas e às vezes, até um padrinho político para conseguir ser vacinado, como aconteceu recentemente, com a febre amarela.

Queria ganhar o troféu da saúde com a urgência e competência que tem os quarteis do corpo de bombeiros e do SAMU. Gritar que a taça do mundo é nossa, fazemos desde 1958. Mas, está mais do que na hora de bradar que a saúde também o é.

É preciso um cuidado diferenciado com a saúde, que é uma coisa caríssima no Brasil, como tenho aprendido com o Dr. Ulisses Pereira. Faz-se necessário investir na prevenção, que diminuirá o custo nos hospitais e postos. Verdade que, mesmo sendo Biólogo, minha área de atuação não é essa. Tenho acompanhado, com atenção, e, vejo que é o desespero da maioria dos brasileiros carentes. Melhoramos muito, sei disso, mesmo assim, ainda não é o suficiente.

Tem outras taças que precisamos ganhar: segurança, trabalho, previdência, trânsito, família, espiritualidade, moral, ética, política (que um dia pretendo falar), entre outros. Sabemos da grandeza geográfica do país, porém os EUA também o são, e conseguem superar tantas coisas, que nossa cultura não é a ideal, que lemos pouco e temos nas instituições a pior falta de credibilidade. O brasileiro, mesmo se dizendo honesto, gosta de levar vantagem, acabamos de ver, recentemente, na paralisação dos caminhoneiros, o que aconteceu com a gasolina e o gás. Epa! Mas, esse não é meu tema. Afinal, como todo bom brasileiro, está na hora de colocar a minha camisa verde e amarela, nova, porque as antigas dão azar. A do 7 X 1, nem pensar! E torcer pelo Brasil, afinal, temos uma boa seleção, precisamos ter três coisas: 80% de competência, 19% de sorte e 1% de superstição. Por isso vou vestir a camisa de 1958, que era do meu pai, e cantar: A taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa.

Prof. Albérico Luiz Fernandes Vilela
Membro do Lions Club Internacional 
Membro da Academia Pernambucana de Educadores
Membro da União Brasileira de Escritores
Diretor Pedagógico da UNIC – Universidade da Criança


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sexta-feira, 18 de maio de 2018

ENSAIO SOBRE A FOFOCA



Este texto faz parte de uma série de ensaios sobre assuntos diversos e de interesse comum que escrevi. O título é uma homenagem a um dos maiores escritores de língua portuguesa, José Saramago, que com seu “Ensaio sobre a Cegueira”, de 1995, nos levou a imaginar uma sociedade que tenta sobreviver a uma doença contagiosa que se alastra sobre uma cidade. Como nos dias de hoje, temos muitas epidemias, o escritor serve de inspiração para falarmos de algumas delas.
Apesar de mais de um milhão de anos que estamos na face da terra, segundo os evolucionistas, o comportamento humano não para de evoluir. Porém, as condutas não são tão diferentes ao longo da história. Hoje sabemos que, mesmo depois de tanto tempo que o homem deixou a caverna, essa ainda permanece nele, e muitas das atitudes continuam as mesmas da pré-história, só adaptadas às modernidades dos nossos dias.

A fofoca é o tema. A principal forma de acontecer é a fala. E desde quando as pessoas usam esse meio de comunicação?Como a linguagem oral não deixa rastros, existem apenas algumas pistas indiretas que pouco ajudam a comprovar qualquer especulação. Talvez a melhor resposta seja: desde quando se tornou homem. Mas, isso não vem ao caso, pois como sabemos, há várias maneiras de fazê-la, sem precisar usar a voz ou até mesmo a escrita. O palestrante mais pop do momento, Leandro Karnal, costuma dizer: “A fofoca é a arma dos fracos”. Mas, ninguém pode falar sobre o seu poder sem citar o sagaz escritor Millôr Fernandes que disse: “Quando todo mundo quer saber é porque ninguém tem nada com isso”. A verdade é que ela é um mal que ganha, a cada dia, mais espaço na mídia e nas nossas mentes. Parece uma brincadeira inocente, mas, pode trazer graves consequências. Já o escritor Walcyr Carrasco, exímio novelista, diz aprender muito com a fofoca, sendo a mesma uma das principais fontes para a elaboração da sua obra.

Porém, ninguém pode se aprofundar no assunto que move as pessoas em todos os recantos da humanidade, sem conhecer a obra “Tratado Geral Sobre a Fofoca: Uma Análise da Desconfiança Humana”, de José Ângelo Gaiarsa, psiquiatra de renome, que morreu aos 90 anos, e mesmo depois de sua morte, ainda é um dos maiores referenciais que temos sobre comportamento humano. Ele, em seus livros, fazia uma análise sociológica, filosófica, histórica e psicológica da fofoca – esse fenômeno tão antigo que acompanha o homem, desde seus primórdios. Partindo da irônica premissa de que nenhum cientista “sério” se dedicaria a estudá-la, toma para si o desafio e mostra, capítulo a capítulo, como essa forma insidiosa de inveja, despeito e medo, infiltra-se em nós, assim que deixamos a infância e quando a fazemos sobre um indivíduo, colocamos nele todos os preconceitos. E, ao fazermos isso, automaticamente, nos livramos de qualquer defeito, tornando-nos modelos de perfeição. As consequências são drásticas: além de fazer mal ao outro, frustramos toda e qualquer possibilidade de mudança interna que pudesse nos levar a um patamar mais elevado de consciência. Fiquemos com a sabedoria do velho mestre: “A quantidade de fofoca que existe no mundo e em cada pessoa é exatamente igual à quantidade de desejos humanos não realizados”.

"A fofoca é uma forma de vingança e Deus odeia isso", diz Rick Warren. Para compreender melhor essa afirmação, vamos aprofundar o assunto.

O que é fofoca? Uma definição: 'compartilhar informações com alguém que não é parte do problema, nem da solução'. “A pessoa pode não ter tido nada a ver com isso, mas, você a relaciona com o assunto para que possa se sentir melhor sobre si mesmo”.

Porque resolvi falar sobre este tema se o centro dos meus textos tem sido sempre educação? Por um motivo simples, se existisse uma maior formação das famílias e das escolas sobre os educandos, a fofoca seria bem menor. Pois, é necessário que todos saibam que as relações humanas precisam do sustentáculo da verdade e sejam cada vez melhores.
Uma verdadeira relação humana tende a levar os envolvidos para um crescimento muito maior. Sei que é difícil, no mundo de hoje, querer a perfeição entre as pessoas. Os interesses passaram a ser individuais e não coletivos. Os desejos são pessoais e os valores são cada vez mais individualistas. Uma fofoca pode atrapalhar ou comprometer a vida dos outros.
Nos meus 38 anos, ensinando biologia para a vida, sempre fiz questão de ter como principio básico, do meu conteúdo, o valor do ser humano. A sala de aula deve ser sempre um lugar de paz e respeito mútuo. No exercício da profissão cheguei a dizer que deveria ser a continuação da nossa casa, hoje, não me permito mais tal ousadia. A família deve compreender o seu papel no contexto da sociedade e não transferir tanta responsabilidade para a escola, pois tira dela o seu principal papel, que é ensinar.
Repito o que digo em tantas das minhas palestras, aulas e encontros: Educar é papel da família, o da escola é ensinar e continuar a educação construída em casa. Crianças que são educadas no seio familiar, não dão trabalho no colégio, também não são problemas nos meios sociais.
Fofoca traz benefícios sociais e psicológicos, diz pesquisa. Os pesquisadores da Universidade de Berkeley descobriram que os boatos podem trazer resultados positivos para a sociedade. O estudo defende as intrigas "pró-sociais", que têm a função de advertência sobre as pessoas não confiáveis. Segundo o psicólogo social Robb Willer, coautor do estudo publicado na edição online da revista Journal of Personalidade e Psicologia Social, o mexerico desempenha um papel crítico na manutenção da ordem social. O estudo também revelou que ele pode ser terapêutico. Pois é, meu caro leitor, o boato pode ser uma terapia para os problemas da moderna sociedade, queiramos ou não.
É bom que saibamos que todo mundo faz intriga e ao mesmo tempo é vítima dela. Como sabemos, existe a fofoca do mal e a do bem, é bom que a do bem prevaleça em nossas relações, o que não é fácil, pois, segundo estudo, a do mal é a que anda mais rápido e atinge 78% da população. Por fim, volto ao famoso escritor e seu livro, e afirmo que Saramago tinha razão quando dizia: “todos nós somos um pouco cegos” e a cegueira não nos deixa enxergar o quanto o boato interfere na vida das pessoas.

Prof. Albérico Luiz Fernandes Vilela
Membro da União Brasileira de Escritores
Membro da Academia Pernambucana de Educação
Diretor Pedagógico da Universidade da Criança - UNIC
Postado por:Jose Renato Siqueira

domingo, 13 de maio de 2018

Google põe Inteligência Artificial ao serviço do jornalismo no Google News


O site de apoio noticioso Google News foi restruturado para passar a usufruir das capacidades da inteligência artificial. 

Durante o evento I/O, a Google apresentou uma remodelação do Google News, a sua plataforma agregadora de notícias dos vários canais de informação espalhados pelo mundo. O destaque vai para a utilização de inteligência artificial para ajudar a ordenar e organizar a informação, tornando mais fácil e direto o acesso às notícias. 

A nova plataforma visa ainda "separar o trigo do joio", ou melhor, discernir entre todo o conteúdo variado o que é ruído, salientando a informação proveniente de jornalismo de qualidade, numa experiência unificada. Isto significa que os utilizadores passam a controlar melhor as temáticas e notícias que mais têm interesse, mas também os assuntos que marcam a atualidade em todo o mundo. 

O sistema utiliza a inteligência artificial para manter o fluxo de informação assim que chega à internet, analisando em tempo real as milhares de páginas, mensagens no Twitter, comentários de utilizadores, análises e os vídeos que são submetidos nos respetivos canais de informação. Estas são depois organizadas e agrupadas por histórias. 

Para os utilizadores ou jornalistas que prefiram aprofundar os assuntos, o serviço oferece uma opção para aceder a mais detalhes, cruzando diferentes fontes de informação sobre o tema. As fontes em quem confia podem também ser organizadas na funcionalidade Newstand, para que possa receber rapidamente notificações com as atualizações. 

De forma a ajudar a afinar e a treinar a IA que suporta as fontes do Google News, o sistema permite agora que os utilizadores possam subscrever imediatamente através das suas próprias contas na Google, sem a necessidade de formulários, utilização de cartões de crédito ou definições de palavras-passe. 

A aplicação Google News chega na próxima semana, no Android e iOS, assim como uma versão desktop, disponível em 127 países. 

FONTE: 

http://www.abjornalistas.org/page.php?news=5401

UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES (UBE) FECHA PARCERIA COM O MUNICÍPIO DE GARANHUNS



Foi realizada na última quinta-feira (10), na  Secretaria de Cultura e Turismo de Garanhuns, uma reunião  com o coordenador da UBE Garanhuns, Renato  Siqueira, com a representante da Secretaria de Educação,  Sheyla e a Secretária de Turismo e Cultura, Neile Barros.

O encontro  visa fortalecer as atividades culturais em Garanhuns, foram abordados assuntos de interesse do Município como também o reconhecimento do papel da UBE  e os avanços conquistados pela instituição durante os últimos dois anos. Durante o encontro foi oficializada uma parceria entre às Secretarias Municipais, UBE e a Câmara Cultural. Com essa parceria  fica a certeza de que grandes projetos e eventos culturais serão fortalecidos em nosso Município.

Fonte: UBE Garanhuns/blogdoanchietagueiros.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

A BOA POESIA DO GARANHUENSE ADELMO CAMILO




Adelmo Camilo, garanhuense da gema, é formado em Pedagogia pela UFRPE e fez pós-graduação em Cultura e Literatura. Começou a se interessar pela poesia desde cedo e fez parte da Sociedade dos Poetas Vivos João Cabral de Melo Neto, um grupo formado por jovens que fez história em Garanhuns, coordenado pelo professor Eliel Duarte.
Camilo editou jornais literários, participou do livro com a coletânea de poemas da Sociedade João Cabral e ao longo dos anos tem aprimorado suas técnicas de escritor e poeta.
Há pouco tempo o jovem Adelmo Camilo (tem pouco mais de 30 anos) lançou o livro “Cãomalehomem”, um trabalho maduro, que revela o talento do garanhuense, atualmente trabalhando como Coordenador Pedagógico do Ensino Fundamental II, no Colégio Diocesano.
“Cãomalehomem”, a partir do título, joga com as palavras, é objetivo, conciso e traz poemas,  em sua maioria curtos, que dizem muito em poucas palavras.
Dividido em partes, o livro faz uma reflexão sobre o homem, o amor (ou amores), os tempos de hoje, a inversão de valores, as paixões, a própria arte da poesia.
É um livro para ser lido e relido muitas vezes, pois alguns versos são muito inspirados e estão dentre os melhores já produzidos em nossa literatura.
Como no sensual poema “Era uma vez...”
Ela estava
Com
Um vestido
Nu
Corpo lindo

E ele a conquistou
E antes mesmo do casamento

Descobriram-se
Huma-nus

Em Análise de uns Dezcursos, dedicado “ao mestre sem carinho”, fina ironia em relação aos professores ou intelectuais cheios de títulos, que arrotam por aí sua sapiência:

Tem doutorado
É “phdeus”
E cospe nos discípulos
A saliva que não tem

Há espaço para uma crítica à cidade, nos versos de “Drogarias”:

Garanhuns das  farmácias e das igrejas
Das hecatombes diáras

Garanhuns doente
Mas ô cidade!
Sem fé não há cura.

Outra pérola em “Descorado”:

Estou branco (todo)
Antes era preto e branco (por fora)
Dentro de mim havia um arco-íris.

A sensualidade novamente no jogo de palavras, no feliz uso  de blue (do inglês) em “A Cor da Pele”:
Me excitei
Com o azul
De sua
Nudez.

O livro de Adelmo Camilo pode ser encontrado na livraria Café, na Avenida Rui Barbosa, ou no Colégio Diocesano.

“Cãomalehomem” tem orelha do professor e escritor Paulo Gervais e prefácio do também escritor Wagner Marques. Os dois não colocariam seus nomes num livro que não tivesse qualidade.
Na verdade, é impossível não gostar da poesia de Camilo. 
Foto:Reproduzida da pagina do Facebook do escritor/blog de roberto almeida 

domingo, 25 de março de 2018

UBE PARTICIPA DO PROJETO ARTES NA ESTAÇÃO


O artista plástico Wando Pontes e o poeta Sandoval Ferreira, estão expondo suas obras durante todo o mês de março no Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcante em Garanhuns. A exposição faz parte do Projeto Artes na Estação de responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo em parceria com a Secretaria de Educação. A sala destinada às exposições recebe a  segunda temporada do projeto e fica aberta ao público em geral e também, aos estudantes da rede pública de ensino que visitam a exposição e são recepcionados pelos próprios artistas que realizam apresentações e breves palestras sobres suas atividades artísticas.
Wando Pontes,criador da tela que deu origem ao selo comemorativo do primeiro aniversario de um ano da UBE no município de Garanhuns,tem demonstrado uma atenção especial a instituição ,mais uma vez e motivo de comemoração e a certeza que como instituição literária a ube tem se consolidado e sempre buscando novas parcerias. Aproveitando a recente mudança na data de emancipação política administrativa de Garanhuns, agora comemorada no dia 10 de março, levou para a exposição sua coleção de telas, Belezas de Garanhuns, com mais de uma dezena de obras que retratam os pontos turísticos da cidade, suas praças, parques e casarios centenários retratados em óleo sobre tela, além de outras pinturas que mostram a versatilidade do artista com as várias técnicas que passam pelo realismo, pelo impressionismo e pelo espatulado.
O poeta Sandoval Ferreira,tem atuado junto a UBE desde a  sua instalação e ao mesmo tempo revelando-se como um grande artista ,com uma visibilidade muito importante, que     expõem seus mais recentes trabalhos em áudio (CD), livros de poesias de cordel e humor. O cordel com humor está presente também no novo show que o artista popular tem apresentado nos palcos das cidades em Pernambuco e em outros estados.
Em Garanhuns o projeto Artes na Estação junta as obras de um pintor e de um poeta, mais um exemplo que, a literatura é capaz de criar um mundo de imagens e cores e as artes plásticas de transportar uma obra literária para uma tela.


Postado por:Jose Renato Siqueira